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Jurema Werneck: "Racismo no Brasil nunca foi cordial"

A diretora da Anistia Internacional no Brasil saiu da pobreza pelos estudos: é medica, engenheira de produção, comunicóloga e sanitarista. Mas na sua trajetória, outra vocação falou mais alto: a defesa dos direitos humanos

Deborah Berlinck, para Headline Ideias
#DIREITOS HUMANOS8 de mar. de 233 min de leitura
Deborah Berlinck, para Headline Ideias8 de mar. de 233 min de leitura

Até chegar onde está – no comando no Brasil da Anistia Internacional, uma das organizações de direitos humanos mais respeitadas no mundo – Jurema Werneck percorreu vários caminhos. E transpôs muitas barreiras.

Mulher negra e pobre da favela – criada no Morro dos Cabritos, em Copacabana, onde passou fome – Werneck saiu da pobreza pelos estudos: se formou em Medicina, depois fez mestrado em Engenharia de Produção, um doutorado em Comunicação e Cultura.

Mas na medida em que avançava e se conscientizava de sua própria condição, algo falou mais alto: a defesa implacável dos direitos humanos, sobretudo, das mulheres negras. Foi isso que a motivou a fundar Criola – uma organização dedicada às mulheres negras.

"Na verdade, eu descobri o mundo de duas formas: da tragédia, da coisa ruim, da injustiça, e da violência. Eu era uma criança de uma família negra, de favela, que foi aprendendo a injustiça do mundo à medida que ia vivendo. Mas também descobri o mundo através de uma família com uma linguagem crítica apurada e sofisticada. Me ensinaram que existia racismo e injustiça desde cedo", conta.

Jurema Werneck é a convidada desta quarta-feira, 8 de março, de mais um episódio do programa Eu Vi o Mundo, comandado pelos cientistas políticos Dawisson Belém Lopes (UFMG) e Guilherme Casarões (FGV- EAESP). O programa é apresentado com exclusividade por Headline.

Na entrevista de pouco mais de uma hora, Werneck fala da infância pobre na favela, dos estudos e da pandemia. Ela também conta como foi influenciada pelo movimento negro dos EUA. A ativista não mede palavras para descrever a violência do racismo brasileiro e não poupa Gilberto Freyre, um dos maiores sociólogos brasileiros do século 20. Como outros ativistas do movimento negro, ela critica Freyre por ter tentado "adoçar" a escravidão no Brasil.

"Não dá para adjetivar racismo e fascismo para atenuar o que ele é, entendeu? Você pode botar qualquer palavra, chamar racismo cordial. É racismo, gente.", reage Werneck.

Ouça em versão podcast:

Um olhar brasileiro

Eu Vi o Mundo é um programa de entrevistas. Em conversas com personalidades do meio político, cultural, científico e esportivo, Dawisson Belém Lopes e Guilherme Casarões mergulham no universo das mais variadas personalidades, buscando "discutir, iluminar e compreender grandes questões internacionais a partir do olhar brasileiro".

O título do programa foi inspirado na obra do pintor modernista pernambucano Cícero Dias. A série de entrevistas se beneficia da experiência acadêmica dos seus idealizadores, que se dedicam há duas décadas ao ensino acadêmico e à pesquisa sobre temas de relações internacionais e política externa brasileira. Exibido em Headline, a série de 15 episódios tem divulgação em mídias sociais, como Facebook, Instagram e Twitter.

Esta é a segunda temporada do programa, que passou a ser publicado em janeiro por Headline Ideias. A estreia foi com Luis Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois, o filósofo e líder indigenista Ailton Krenak, a embaixadora Irene Vida Gala, presidente da recém-fundada Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras, o jornalista esportivo Juca Kfouri, o escritor e cineasta João Paulo Cuenca, a jornalista Patrícia Campos Mello e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

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