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JP Cuenca: "A Igreja quis me pendurar como Judas"

Um dos escritores e cineastas mais ameaçados do Brasil, João Paulo Cuenca, revela que está escrevendo um novo livro e planejando um filme sobre os inúmeros processos movidos contra ele por pastores evangélicos bolsonaristas

Deborah Berlinck, para Headline Ideias
#CULTURA15 de fev. de 233 min de leitura
Deborah Berlinck, para Headline Ideias15 de fev. de 233 min de leitura


O programa Eu Vi o Mundo – apresentado com exclusividade pela Headline nesta quarta-feira, 15 – entrevistou um dos escritores mais festejados e ameaçados do Brasil: João Paulo Cuenca. Premiadíssimo não só no Brasil, ele teve sua obra traduzida em várias línguas ao redor do mundo.

Numa conversa de quase uma hora com os cientistas políticos Dawisson Belém Lopes (UFMG) e Guilherme Casarões (FGV-EAESP) – idealizadores do programa –, o escritor e cineasta carioca revela que está escrevendo um novo livro e planejando um filme sobre os inúmeros processos movidos contra ele por pastores evangélicos bolsonaristas. Vai ser uma mistura de ficção com realidade, avisa.

Cuenca foi atacado em mais de 140 processos na Justiça por conta de uma metáfora que usou no Twitter. Já ganhou em 90 dos processos. Em junho de 2020, ele escreveu: “O brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”.

Ele parafraseou o escritor católico francês do século 18 Jean Meslier – um ferrenho defensor da separação entre Igreja e Estado. Meslier ficou célebre por esta frase: "o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”.

Por conta da metáfora, Cuenca foi crucificado:

"A Igreja quis me pendurar como Judas, dizendo assim: "olha só, você não fala o nome da igreja que acontece isso com você".

Para o escritor e cineasta, assédio jurídico contra escritores, jornalistas e articulistas é uma tendência global que precisa ser combatida com lei. Ele menciona um projeto-de-lei do deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) sobre assédio judicial.

A entrevista , entretanto, vai muito além da sua batalha jurídica. Cuenca fala da origem e influência de seu pai argentino, de como se iniciou na literatura, e comparou os ecossistemas literários do Brasil e da Argentina.

Mas é na análise do mundo atual que ele se revela particularmente pessimista. "Eu acho que o mundo vai estar entrando num ciclo perigoso de violência e degradação democrática. Em 5 a 10 anos, eu prevejo guerra", disse.

Ouça em versão podcast:

Um olhar brasileiro

Eu Vi o Mundo é um programa de entrevistas. Em conversas com personalidades do meio político, cultural, científico e esportivo, Dawisson Belém Lopes e Guilherme Casarões mergulham no universo das mais variadas personalidades, buscando "discutir, iluminar e compreender grandes questões internacionais a partir do olhar brasileiro".

O título do programa foi inspirado na obra do pintor modernista pernambucano Cícero Dias. A série de entrevistas se beneficia da experiência acadêmica dos seus idealizadores, que se dedicam há duas décadas ao ensino acadêmico e à pesquisa sobre temas de relações internacionais e política externa brasileira. Exibido em Headline, a série de 15 episódios tem divulgação em mídias sociais, como Facebook, Instagram e Twitter.

Esta é a segunda temporada do programa, que passou a ser publicado em janeiro por Headline Ideias. A estreia foi com Luis Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois, o filósofo e líder indigenista Ailton Krenak, a embaixadora Irene Vida Gala, presidente da recém-fundada Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras, e o jornalista esportivo Juca Kfouri.

Assista ao Curta Headline:

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